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ALÉM DOS NOSSOS LIMITES

EXPLICAÇÃO DESNECESSÁRIA, MAS ÚTIL

Desde sua criação, este site foi sempre dedicado às artes e à cultura do Maranhão. No entanto, sempre há a necessidade de falar/escrever sobre obras e autores de outros estados e de outras regiões. Então decidi colocar esta nova página na qual coloco textos que vão além dos espaços maranhenses.

Boa leitura para quem chegou até aqui.

 

CORES E FORMAS EM ISAAC DE OLIVEIRA

José Neres

 

 

 

            Quem reside na cidade de Campo Grande ou pelo menos passa algumas horas transitando pela capital sul-mato-grossense, invariavelmente, se deparará com alguma obra do publicitário e artista plástico Isaac de Oliveira. Suas telas, originais ou em reprodução, estão presentes em diversos locais como shoppings, restaurantes, hotéis, repartições públicas, residências, galerias e até mesmo em objetos utilitários ou de decoração.

            O primeiro impacto visual geralmente vem em função do contraste das cores vivas com fundos em tons mais suaves. A seguir, ao prestar a atenção para o conjunto da tela, o observador percebe também um extremo cuidado com a proporção das formas e com o equilíbrio harmonioso entre o foco principal de interesse e os elementos periféricos, que quase nunca estão ali apenas para compor um cenário, mas sim por se integrarem a um todo que se completa em cada mínima parte.

            Com um pouco mais de atenção, é possível notar que a produção pictórica desse talentoso artista não é fruto apenas dos instintos visuais de quem tem como hobby traduzir em linhas, pontos, curvas e cores o que atrai sua atenção na natureza. Também não se trata de alguém que viu nas artes uma oportunidade de estabelecer-se financeiramente. O que se percebe vendo as inúmeras telas de Isaac de Oliveira é que elas são o resultado de pelo menos três variáveis que quando se encontram em uma mesma pessoa costumam dar bons resultados: talento, estudo e perseverança.

            O talento desse artista baiano que há décadas se radicou em Campo Grande é notório. Mesmo quem aparentemente não se interessa por artes plásticas se impressiona com os traços vivos que levam para a tela arvores, flores, animais silvestres e outros motivos com o mínimo possível de distorção, mas sem perseguir a exatidão de uma reprodução mecanicista e sem vida.

            É possível notar que, associado ao talento nato, há também um grande grau de esforço em aprender com os grandes mestres das artes mundiais. Suas releituras dos quadros de pintores mundialmente reconhecidos não se confundem com o plágio e nem mesmo com o pastiche puro e simples. Aparentam ser, em verdade, exercícios para apurar a técnica e compreender como os chamados gênios da arte encontraram soluções para problemas técnicos e/ou teóricos que continuam incomodando os artistas das novas gerações.

            Outra grande qualidade de Isaac de Oliveira, mas que só pode ser percebida a partir de uma comparação diacrônica de seus trabalhos. Assim é possível notar ele sempre procurou resolver algumas limitações técnicas que poderiam atrapalhar seu trabalho. Exemplo disso são os fundos chapados do início de sua carreira que foram substituídos paulatinamente por um tipo de opacidade que desfocava o objeto central da tela até atingir a leveza das cores menos densas que se harmonizam com sinuosidades em busca de uma impressão de movimento, mesmo em motivos que levem à ideia de aparente imobilidade, como é o caso de suas séries centradas em ipês floridos.

            Um detalhe que chama a atenção no conjunto da obra desse artista plástico e sua integração com o meio ambiente. Mesmo sem recorrer a um explícito engajamento em defesa da fauna, da flora e ser humano, percebe-se uma preocupação latente com a preservação do pantanal e do planeta como um todo. Aves, peixes, animais selvagens, plantas e seres humanos fazem parte de um grande painel ecossistêmico. É o tipo de silêncio que se não soa como denúncia, pode ser interpretado como alerta, pois da forma como o homem está tratando a natureza, possivelmente algumas espécies, em um futuro bem próximo, só serão vistas em livros, documentários e em obras de artistas como Isaac de Oliveira.

 

Fonte das imagens: internet